História

 “À volta da Casa de Lordelo”

A hoje designada Casa de Lordelo resultou de uma transmissão feita a favor da Associação das Obras Sociais S. Vicente de Paulo (AOSSVP), corria o ano de 1973, de um prédio urbano situado na Rua António Bessa Leite, freguesia de Lordelo do Ouro, no Porto, transmissão a que procedeu a Associação das Obras Assistenciais das Conferências Femininas de S. Vicente de Paulo, com sede em Lisboa.

O prédio de três pisos, conhecido à época pela “Casa dos Pobres”, encontrava-se ocupado (nalguns casos indevidamente) por famílias carenciadas apoiadas pela Conferência Vicentina da zona, e constituía um ambiente socialmente problemático, de constantes conflitos e exacerbado por comportamentos aditivos de alguns residentes, dificultando o trabalho das “senhoras da conferência”, que não encontraram alternativa senão entregar a gestão do espaço e seus inquilinos à AOSSVP.

Após algum tempo de trabalho dirigido para a desocupação desse imóvel por quem o estava a ocupar indevidamente e de obras de adaptação, a “Casa de Lordelo” surgiu para nela funcionar o primeiro centro de dia do país, naquela que foi considerada uma experiência piloto a nível nacional. Começou a laborar em pleno em 1975, dirigida pela Sra. Dra. Maria do Carmo Roncon, técnica superior de serviço social que, com a sua visão estratégica e pioneira, assessorada por uma pequena equipa, leal e dinâmica e contanto com todo o apoio da direção da AOS, lançou-se no trabalho com a população idosa da freguesia, com lar de idosos, centro de dia e serviço de apoio domiciliário. Antes disso e num trabalho preparatório, foi feito um levantamento de necessidades da população idosa, com contactos e entrevistas porta a porta, de forma a ajustar os serviços propostos às reais necessidades dos utentes.

Ao longo dos anos a “Casa de Lordelo” foi crescendo e afirmando-se como um equipamento social de vanguarda, uma verdadeira referência na cidade do Porto e mesmo em todo o norte do país, admirada e respeitada por todos, tanto a nível oficial, como junto de particulares.

Em 1991 e a pedido do então Ministro Silva Peneda, foi criado o serviço de apoio domiciliário de Matosinhos, integrando ajudantes familiares e vocacionado para o apoio a doentes acamados, numa zona geográfica bastante deficitária, à época, de cuidados domiciliários da rede formal de apoio social. Esta iniciativa foi igualmente pioneira no nosso país, dando cumprimento a nova legislação sobre “ajudantes familiares”.

O edifício da Casa de Lordelo, pelo facto de não ter sido construído de raiz, mas sim uma adaptação, não cumpria as diretrizes emanadas no despacho normativo 12/98, que regula as condições de instalação e funcionamento dos lares de idosos e, por esse motivo, a direção da instituição viu-se forçada a realizar obras de remodelação de grande envergadura de forma a tornar as suas instalações modernas e em harmonia com a legislação em vigor. Houve, pois, que encerrar temporariamente as instalações (pelo tempo necessário das obras de remodelação) e transferir os serviços e os utentes para outros locais. Para o efeito, obteve-se a preciosa colaboração da Câmara Municipal do Porto, com a cedência de dois espaços camarários, durante todo o tempo de duração das referidas obras.

Após um difícil percurso de 6 longos anos, com avanços e recuos ao nível do financiamento público e próprio, a Casa de Lordelo renasceu em 2009, apresentando instalações modelares, no cumprimento integral de todas as normas de segurança, higiene, conforto e bem-estar dos seus utentes e com uma equipa de trabalho multidisciplinar, altamente diferenciada, conjugando saber e experiência na arte de cuidar de pessoas idosas e dependentes.

O percurso deste equipamento foi sempre brilhantemente orientado pela Dra. Mª do Carmo Roncon que apenas em 2014, ano do seu falecimento e já na situação de reforma, “entregou” os destinos desta Casa à geração que preparou.

Joana Roncon, out. 2018

O compromisso da constante renovação