Nova legislação e novos equipamentos ainda não são suficientes

PARA ONDE VÃO OS IDOSOS

//LARES DE IDOSOS

Em Portugal, um quinto da população tem mais de 65 anos. São cerca de dois milhões de pessoas. Os lares do Estado, aqueles cuja mensalidade é paga pelos utentes de acordo com o rendimento per capita (cativação da reforma pode chegar aos 85%), são menos de dois mil, acolhem cerca de 73 mil pessoas e raramente têm vagas. Neste momento, há mais de 15 mil idosos em lista de espera.

Dona Guilhermina está sentada no sofá da sala, óculos na ponta do nariz, sentidos concentrados no jornal.
Lê-o todos os dias. Depois vai passear e à missa. À sexta, almoça fora com as amigas, todas mais novas. Tem 102 anos.
Pedimos-lhe uma fotografia, diz que sim, desde que não lhe perturbemos a leitura. Di-lo numa voz límpida, de quem ignora efeitos inibidores da longevidade. Está há mais de vinte anos na Casa de Lordelo, IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) que pertence às Obras Sociais de São Vicente de Paulo.
Joana Roncon, psicóloga e diretora da casa, também está ali há vinte anos, menos tempo que alguns dos vinte utentes que esgotam a lotação do equipamento. Alista de espera é de meia centena. “Não creio que nos procurem mais, mas as pessoas vivem mais.
Passam-se anos sem que abra uma vaga”. Por isso, quando recebe pedidos, já os orienta noutro sentido. “Não crio ilusões. Humanamente, não é leal criar expectativas quando sei que a pessoa já não tem o tempo que poderá demorar a abrir uma vaga”.
As pessoas têm consciência do “privilégio” que é preencher um lugar naquela casa de quartos individuais, com aquecimento e banho privado, em que se “privilegia a autonomia, promove o lazer e assegura a saúde 24 horas por dia”. Os candidatos visitam o lar numa fase da vida
em que ainda não precisam dele. “Inscrevem-se muito cedo, porque damos prioridade aos que já pertencem à instituição ou recebem os
nossos serviços noutras valências, como o centro de dia ou apoio domiciliário”.

“Família é principal avaliador”

Preocupação de quem gere um equipamento privado: desfazer o preconceito. “Isto não é um lar, é uma residência assistida. Não é uma empresa que fará de tudo para não cumprir, é um prestador de serviços escrutinado pela Segurança Social, mas sobretudo pelas famílias – são elas o nosso principal avaliador”. Pedro Pinto, diretor da Residência Montepio, no Porto, joga à defesa, mas denuncia a razão. “A desconfiança face
ao privado leva as pessoas a pensarem que a nossa mensalidade é exorbitante quando é altamente competitiva: não é agravada em função do
grau de dependência do residente, é estável e assegura mais cuidados de saúde, lazer e segurança que os exigidos”.

Por isso, à desconfiança responde sempre como mesmo apelo: “Venha visitar-nos”.

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